Sexta-feira, Outubro 24, 2003

IMAGEM

Na passadaquarta-feira, ouvi pasmado o Dr. Carvalho da Silva numa surpreendente reviravolta ideológica no seu discurso. O homem considera que o que se está a "passar" em Portugal é negativo para a "imagem" da economia e do país. Em termos do consumidor estrangeiro, para Carvalho da Silva, o japonês vai consumir menos cortiça por causa da casa Pia, e o Maltês menos Vinho do Porto derivado às escutas telefónicas. Por mim, já não consumo Bushmills não por causa dos conflitos religiosos na Irlanda, mas apenas porque não tenho dinheiro. Nem me lembro de abandonar o meu carro, um Volkswagen, sempre que me lembre do Hitler.
O problema da sociedade contemporãnea é precisamente esta construção ilusória em termos de imagem. A imagem não diz nada, como um postal, só ajuda a lembrar. Quando uma coisa é boa, funciona por si fazendo construir a posteriori a sua imagem. A moda italiana, por exemplo, não tem design nenhum e está-se sempre a falar em design italiano. Abra-se um site de uma qualquer confederação de calçado italiano e aprecie-se a originalidade do design italiano, não há nenhum - há no máximo aperfeiçoamento de uma ideia que faz render o peixe há decadas. Portugal não, acha que está a perder alguma coisa - falta o design, falta a marca, em suma, falta o que os outros têm em termos de organização e nós não.Mai' nada. ORGANIZAÇÂO é o que falta (pelo menos na sala e no escritório).
O Dr. Carvalho da Silva obviamente e louvadamente preocupado com o futuro da classe laboral ainda não percebeu que a classe laboral se está a marimbar para o que ele diz. Só assim se percebe a sua ingenuidade em termos de preocupação com a imagem.É politicamente um grito de desespero para um disurso gasto.Para além de estar a criticar o uma das vertentes impulsionadoras do enriquecimento: o consumo.
Para terminar, quando alguem coloca a imagem no centro do discurso está a tentar desviar atenções,para outra coisa qualquer. A imagem que devia ser a porta de entrada está, para os politicos, a tornar-se uma saída. Foleira.

Quarta-feira, Outubro 22, 2003

M-ARTE

ARTE

Pintura

Sempre fiz desenhos sem me levar a sério. Mas levava os desenhos sem me considerar desenhador, pintor ou o que quer que seja. Um dia achei achei que me devia levar a sério. Estraguei tudo porque investi na pintura. Resultado, dei vários quadros, vendi um ao meu irmão e outro a uma loja de pintura que se destinou a um arquitecto (obrigado Oscar) e centenas de desenhos, bem como mais uma vintena de telas permanecem na minha garagem. Que eu pinto mal já se sabe, mas não há por aí nenhuma teoria que resguarde esta minha falta de convicção?
Passados alguns anos, avaliando o que fiz, olho com alguma apreesão as teorias e técnicas de pintura. Para alguns a pintura deveria obedecer, pasme-se, a filosofias. A filosofias? A maior parte dos trbalhos que fiz foi castigo. Mas está feito. Aprendi que a pintura é para génios, qualquer que seja. Só génios a fazem. por isso desisti. É mais bolos.
Um dia estava a pintar e a mão parou.

Fotografia

Também andei na fotografia. Desisti em agonia qundo vi as fotografias de Witkin.
Mas ainda trabalho nelas. Acho a fotografia a história do silêncio.

Musica (digital).

Aos 20 anos compei um sintetizador (Yamaha DX21) com o dinheiro de um curso de mediação de seguros da CEE (onde criei o popular jornal «O Abraço») para compensar uma imaturidade pop musical. Não deu em nada. Aos 32, com os computadores durante três anos a fio trabalhei num disco. Auto-gravei uma cassete. Está para lá. Who cares?

Poesia

Nem se fala. Mais vale os bolos.

Enfim

As áreas da criação sempre me fascinaram, o meu zoodíaco diz-me o mesmo, mas sou um mero asteróide atraído pela luz.que sempe desaparece. Eis a história das estrelas, como diria um professor meu, de Direito, expulso de todas as faculdades em que leccionou. (não esteve AGARRADO ao emprego).

Copos.

Nada me faz sentir tão bem como os copos. Não vale a pena nenhuma mensagem subliminar como a que criaram no tabaco.


AMBIÇÂO

Um Local musical que abrisse a partir da 1 da manhã. Ao pé da minha casa.

ESCUTEIRO

Ao fim de alguns anos de escuteiro (dic: aquele que escuta) de Pop/Rock em todas as frentes, fica o trabalho de Bernard Summer com os Joy Divison e os New Order (paralelamente com o seu trabalho nos Monaco do amigo hooker, a genialidade em electronic e actualmente com a sua actividade de produtor). Poderia ter ficado Ian McCullogh, a seu lado, se se tornasse aventureiro. Os Rolling Stones nunca foram bons, os Beatles e Pet Shop Boys só pugnaram pelo sucesso. E os Duran Duran nunca «SUF». Verifico que o melhor do Pop/Rock não é a "carreira" mas momentos. Momentos de génio, como disse Harold Pinter acerca da sua "carreira".
E o que é que levamos da vida senão Momentos, que ninguém nos tira, impartilháveis, irrecuperáveis, irrepetíveis e só Deus sabe de nós?
Pois é. Momentos, mais nada. Nem os cinco melrréis da broa.

O PAÌS SÉRIO

Durante a década de 90 e perante a inevitável internacionalização de Portugal, acossaram-se os indigenas de uma natural perda de naturalidade e soberania. Sem fundamento, alguns rasgos de "Portugalidade" nostálgicos mas infrutíferos deram á ocidental praia. Ele foi o Independente ele foi a Identidade. Nada resultou porque nenhum desses conceitos foi alguma vez sério, senão a pura cópia da antiga internacionalização sem pergaminho. Mas foi ar puro apesar de tudo. No entanto essa portugalidade que hoje se torna nacionalista, é possível. Como? Basta para isso que os portugueses definitivamente cumprimentem o vizinho e não olhem para ele espantados.
Uma das maiores afirmações de soberania é a de um tio meu que quando visitou um país estrangeiro sobranceou na sua indesmanchável ruralidade perante certo fenómeno cultural "também temos lá disso". Os portugueses espantam-se com as magias dos feiticeiros de Bruxelas e dos países centrais sem terem em conta o seu património. Para dar um exemplo tenho alguma propriedade rural que já me aconselharam não cultivar por não ser rentável. Eu olho para aquels terrenos lembro-me da fome e da crise batata na Irlanda e da imposição Liberal á importação de alimentos para qules país no sec XIX e dá-me ascos ver terra que se encontra em pousio há anos. E não quero ver lá cimento a crescer, mais vale uma carreira de tiro.
Portugal tem que se habituar a ser um país sério, rebelde, criativo fodendo-se para os burocratas da Mercedes e da BMW, e aprendendo a lição de não ter de cair no folclore.
Tem de aprender a criar com o que há, sem se desligar dos seus direitos (nunca deveres) sociais.

Post Scriptum - Quando estive de Férias em Castro Meirim encontrei o Sr. Cavaco e Familia que não se tinha rendido totalmente á voragem imobiliária. Ontem, ouvi na RTP Regiões que há, na zona de Tavira, cada vez mais terrenos a serem aproveitados para a PRODUÇÂO da vinha em vez do mero imobialiarismo parasita.

ELOGIO DE CASTRO MEIRIM

Estive de Férias no Paraiso. Em Castro Meirim numa quinta vínicola com possibilidade de alojamento. Pessoas do melhor que há em Portugal - o Sr. Cavaco (que confessou não pertencer ao «suposto», o Algarve está cheio de Cavacos) D. Teresa e familia. Numa cidade que tem a coragem de realizar a Feira Medieval - uma breve reconstituição dos dias medievais naquela cidade moura. É excelente, nesta época «Tech».
Peixe, Praias e Sol, Perto de Espanha.

MAIS POBRES.

A sr. Ministra das Finanças, que goza de uma popularidade não surpreendente nas hostes nazis, acaba de (não) me surpreender com mais um atestado de incompetência. Perdeu-se uma excelente mulher de limpeza e ganhou-se uma péssima ministra de finanças. Porquê? Primeiro é uma mulher que mostrou não estar á altura das directivas da união europeia - nunca soube negociar nem fazer resvalar o desnecessário défice. Envolveu-se com aquela estética. Por essa mesma razão a sra. Ministra não pode senão agradar aqueles que pensam que produzem: os empresários. Note-se que os empresários na sua maioria não produzem nada, produzem apenas representação da produção, publicidade, trepicalhos e falências - que o estado teima olimpicamente em ignorar e apoiar. A Sra ministra vai atrás deles, eles riem-se á socapa. O verdadeiro produtor, sempre em risco, aquele que investe não vê um tusto e na maioria dos casos é a pobre vítima de um orçamento deseseperado.
A confiar no habil e generoso Sousa Franco, este orçamento do estado é um tratado de totalitarismo sem reconhecimento de classes sociais. O mesmo imposto incidirá sobre o que ganha o meu vizinho que factura 100 mil contos ao ano é o mesmo que eu vou pagar que nem emprego tenho e me mato a trabalhar. É de génio. Uma senhora. Dar pérolas a quem tem porcos.
Já dizia Leonard Cohen, " the "richs get richier and the poor stay poor", everyody knows. Mas não há mal nenhum, parece que neste virar de século se pode viver de espírito (há pizzas de espirito?) - uma óbvia manipulação.
A sra ministra vai distribuir espirito ao pobres (Espero que não seja o espirito da paz dos Madredeus? Vais valia um tiro nos cornos) num pack que contém o seu mau espírito para não reconhecer diferentes fontes de rendimento, conspirações sociais baseadas na ignorância e um software de sustos. A crise Portuguesa não é senão a crise da lotação esgotada no barco alheio. Nestes 20 anos de internacionalização não houve um único rasgo eficaz de solidificação de Portugal, o que resultou na desesperada colagem de Barroso aos "grandes". Portugal é uma país com características de recursos suficientes para dar de comer até a estrangeiros, só não soube arejar o pasto.
A Sra. ministra alheia ás arcadas do país ignora obviamente o território e a sua povoação. Que lhe interessa? O que importa é estar de acordo com a secretária.

HISTÒRIA DA MINHA LICENCIATURA EM SOCIOLOGIA

HISTÒRIA DA MINHA LICENCIATURA EM SOCIOLOGIA

O inicio.

Entrei para antropologia social no ISCTE esperado 1 ano á espera de méda para o efeito.
Durante a tropa a classe oficial perguntava-se entre si o que é que o "russo" como me designavam - era - dificultando a minha ida ás aulas.

Transferência para o Porto
1º ano
Tentativas de praxe.
Bolos.
Troca de livros, discos e cassetes com a classe ilustrada.
2º ano
Tentativas de praxe
Mais bolos
Propõem-se a expulsão de um docente sob baixo assinado. So eu e um outro colega contrariamos o povo.
Troca de livros, discos e cassetes com a classe ilustrada.
3ºano
Acidente automóvel
Primeiro contacto com a convicta associação de estudantes, onde se preparam demagogicamente ambiciosos politicos - com resultados.
Falta a reuniões conspirativas e inócuas. Não havia vinho.
Só declaradamente eu e outro colega estamos dispostos a pagar propinas.
Noitadas.
Troca de livros, discos e cassetes com a classe ilustrada.
4º Ano
Estudo
Troca de livros, discos e cassetes com a classe ilustrada.
5º ano
França.
Troca de livros, discos e cassetes com a classe ilustrada.
Fim

Resultado:

2 deputados
1 apresentador televisivo

Uma merda.

Terça-feira, Outubro 21, 2003

TABACO DE ENROLAR

Não pertence a nenhuma moda, dá para 3 dias,
e é mais aromático.
Amsterdamer ou Van Nelle 3,95€ + 1€ (100 filtros)+ 3€ máquina maravilha de enrolar.
Só para adictos sem fundamento nem convicção.

EXTREMA DIREITA HELVETICA.

As consecutivas vitórias da extrema-direita na Europa só tem revelado uma coisa: medo. Medo da mobilidade social, a que se chama vulgarmente emigração. O que me permitia deslocar de uma freguesia para outra, hoje não é possível, há medo. Medo do outro, do estranho, que os indígenas qualificam à partida como violento, com hábitos tão diferentes. E consumos "tão exóticos".
Num país que tem como símbolo um canivete, ainda mais, um partido como a UDC que é liderado, não por um génio, mas por um anónimo multimilionário, os helvéticos só têm o que merecem
Enquanto a extrema-direita regenerou a saúde dos sistemas democráticos na Europa, com vitórias nas urnas, e não na rua, esta vitória na Suiça só mostra a grande sinistra tendência dos europeus: casas fechadas, ligadas a uma virtual rede de informação, dinheiro escondido em cartões de crédito, um sistema financeiro corrupto, absorvente e estéril, num pretenso orgulho e em "segurança", mais uma vez, pointed to nowhere.
A extrema-direita, não é mais do que a assumpção do ressentimento de uma classe média que anos a fio viveu na ilusão das expectativas que consecutivos governos lhes criaram em troca do seu silêncio e anonimato. Os governos falharam, e hoje as populações reivindicam de novo a sua "identidade", "cidadania" e "bom-nome". Isso faz-se no grande bolo a que se chama extrema-direita. Note-se que não é a mesma direita de Hitler ou Mussolini. É uma direita que em tempos embarcou nas utopias da esquerda, em que hoje, afinal, o que conta é o dinheirinho. Em tempos de crise é assim. Em vez de aprender a renovar os comportamentos, os europeus, em tempos de crise, só parecem querem forçar um sistema roto, ainda iludidos que tal pode acontecer.
Note-se que os partidos políticos já não têm nenhum programa político de governação, mas uma tabela de preços, uma contabilidade. Não espanta que não haja nenhuma política prioritária de ambiente, nem de saúde, nem de nada.
Bem procurei o que é que os helvéticos tinham ganho nestas eleições, cheguei à conclusão que não foi um canivete. Who cares?

SELECÇÂO NATURAL

Há uns anos quando trabalhei para um orgão do Instituto do Emprego, aparecia avulso uma inquietante afirmação, incessantemente repetida, nos meios da empregabilidade: a da "dificuldade em encontrar emprego a partir dos 34 anos". Perante tão sumária frase resolvi aceitar as regras da minha sociedade e a partir do 34 não procurei mais, ia lá eu pôr em causa anos de especialização dos técnicos de emprego, para mais publicados pelo Senhor Instituto do Emprego e da Formação Profissional. Óbvio que não o fiz. Mas hoje vivo sem dignidade nenhuma, nas regras das instituições da minha sociedade e do meu tempo. A partir dos 34 anos na nossa sociedade a vida morreu por decreto. Só não entendo é como é que ainda existem empregados com mais de 34 anos. Talvez esses não tenham lido as brochuras do Instituto do Emprego. Por vezes, muitas vezes, a ignorância é melhor que o conhecimento. Assim que o fizerem vão, como eu, para casa agarrarem-se ao relógio biológico e fazer revisões biográficas, com doses de tendências suicidas para decorar o evento.
É o resultado da mitologia de uma cultura classicista, baseada na selecção natural ao longo da vida, que permite sumariar o comportamento. E ninguém diz nada.
Ainda há alguém neste país? Está lá? Tou! Tá lá?
Está ruim.

A LUZ DO SOL.

Há mais de um ano que está traduzido para português a única obra com pés e cabeça acerca do ambiente.
Monopolizada por meras bocas de direita e esquerda, a discussão em volta do ambiente foi muito poucas vezes clara. E, «Os últimos dias da antiga Luz do sol», de Thom Hartman (Ed. Sinais de Fogo), é sem qualquer dúvida o mais brilhante tratado acerca deste tema. Quando se pensa que ser ambientalista é andar "preocupadinho" com os outros tornando-se voluntariamente e militantemente fumador passivo, perseguindo os convictos do fumo, esta obra denuncia a hipocrisia de uma sociedade fundada em contradições, capaz de deliberadamente fazer o pior mal ao mundo num unico dia, ao lançar um foguetão para um local estúpido, do que séculos de tabaco. Mostra uma sociedade contentinha com a sua tecnologia "pointed to nowhere" (como um vírus de computador) em irmandade com uma uma outra sociedade apocalítica, fundada em teologias de um Deus tirano.
A tese de «Os ultimos dias da antiga luz do sol» é a seguinte: os humanos para sobreviverem precisam de luz do sol, e só a podem adquirir comendo animais e escavando o sub-solo em volta de petróleo e carvão - que não é mais do que luz do sol armazenado naturalmente ao longo de milhões de anos e em pouco mais de 150 anos delapidado. Os governos contemporâneos fizeram um grande esforço para aperfeiçoarem máquinas de guerra, mas muito raramente se preocuparam em tornar o ambiente mundial algo limpo, com investimentos claros e prioritários nas energias alternativas. A solução que encontraram para se desculparem desta falta de preocupaçao foi culpar o individuo e a cultura (tentando desviar a atenção da sua impotência), mas não a industria poluidora, porque essa dá lucro.
Um clássico, devia ser obrigatório.

FOR FUN

Os Tindersticks em Portugal?
Acho que são a banda mais divertida do mundo.

NADA EM COMUM

Férias, Joe Berardo, Cesariny, Vespeira e Max Ernst.

No mês de Agosto passado estive de Férias no Algarve, a convite de familiares. Confesso que nunca me dei bem em férias, é um tempo em que se tem de aprender a não fazer nada de outra maneira. Na maneira que houver. Entre a areia, sol, sal e mar os dias lá se iam assando (leu bem) com algumas escapadas nocturnas ás cidades próximas. Nessas viagens encontrei uma Tavira muito agradável com o seu castelo altaneiro.
Entre essa vista verifiquei que havia uma exposição da colecção Joe Berardo, onde se incluíam obras de Cesariny, Vespeira e Max Ernst. Eu, apreciador de pintura, nunca apreciei ao vivo estes autores, principalmente Mário Cesariny, que me custa. Era uma oportunidade e tinha um mês para a visitar. Nunca lá fui, em 30 dias nunca lá fui. Limitei-me a enrolar cigarros, fazer praia e arrumar a casa. Vaguear em falatórios de verão. Nem copos. Ferias é férias. Por vezes uma leitura diagonal do Publico e do Expresso, algumas ambições organizativas no meu PC e pouco mais. Ainda arrumei uma tradução que não acabei de «Twenty Nine Poems» de Catherine Tenan. Se fosse hoje, a minha predisposição para ver essa exposição seria outra. Porquê? Porque não tenho ninguém que me obrigue a comportamentos que não são meus. Viver em grupos é por vezes castrador, dilui-se a nossa individualidade e geram-se delicadezas a mais. É mau, porque o grupo nunca sobrevive e a individualidade precisa de alimento constante. Gera frustração e limitações, um verdadeiro perigo.
Hoje, mal, pergunto quando é que vou ter um contacto com essas obras ? Ás escondidas ou esperando a extinção do mundo rural?

O CERCO

Uma lista de coisas perigosas na vida quotidiana.

Tabaco
alcool
bêbados
emigrantes
correntes de ar
ácaros
alcatifas
ondas hertezianas
fritos
rock'n roll (qualquer coisa a ver com o esperma)
propinas
noitadas
eutanásia
inutilidade
automóveis
condutores
sociólogos
drogas
chocolate
açúcar
livros
jornais

(continua)

O SILÊNCIO DE «Beckett on Film».

Exibido há dois anos na SIC, a horas tardias, consegui gravar em VHS 18 das 19 peças de Samuel Beckett realizadas para serem editadas em DVD. Estas peças são tudo para mim. O famoso silêncio de Beckett está tão bem montado em peças de uma coragem estética inenarrável. Já para não falar da participação de actores como Juliane Moore («Not I»), Jeremy Irons («Ohio Impromptu»), Harold Pinter entre outros.
Algumas delas precisamente, as mais conhecidas pelo maior parte do público como Happy Days, ou «Footfalls» não acrescentam muito à obra original do escritor. Mas há algumas que têm gasto o meu leitor de vídeo pela forma como foram realizadas: «Ohio Impromptu», uma encenação brilhante com o melhor de Beckett com a “dupla” participação de Jeremy Irons. "Where, why, what" e «Rough for theatre I», «Rough for Theatre II», «Catastrophe» mostram o melhor do absurdo das palavras que nada querem dizer, persistindo, caindo sem cessar, dia-a-dia.
Há cerca de dois meses procurei «Beckett on film» na Fnac e em lojas on-line, Portugal e França, nada. Há um sítio on-line onde se pode fazer a encomenda directamente (http://www.beckettonfilm.com/beckett_dvd.html), mas o produto não está legendado em português. Boa sorte para os que nisso insistirem, eu tenho as minhas cópias da SIC, com a singela vantagem de estarem já traduzidas para português. Além disso, não tenho dinheiro para aventuras DVD. Já me chega a NET.

Domingo, Outubro 19, 2003

POLIS

Uma das afirmações que mais tenho ouvido no rol de amigos e colegas e familiares é a de "não gosto de politica". Esta afirmação sempre me pareceu demagógica e sinistra. Porque não se trata apenas de gostar mas de estar envolvido com o tempo actual em que a politica, quer se queira quer não, marca a agenda. Não há "vanguarda"(sic) que resista a uma má politica territorial e de florestação, não há "passerelle"(tvi) que resista a uma ausência de politica ambiental, não há nenhum ser "positivo" que sobreviva sem uma actividade remunerada.
Todas estas pequenas coisas, menores e mesquinhas, não são preocupação dos portugueses que não gostam da politica e por esse motivo a politica insiste em não gostar dos portugueses.
Do céu não vem nada, e se não for a influência e o poder politico vai ser muito dificil MELHORAR a vidinha. A não ser que esteja bem assim: indices de pobreza de 21% e criminalidade de 25%, está bem assim. Um desempego a aumentar, está bem assim. Actividades desqualificantes, está bem assim. O poder pelo poder da classe dirigente futebolistica, toxicodependentes sem vidinha nenhuma a morrerem debaixo de pontes. Está bem assim.
Politicos com testoterona desviante ainda é o menos. O pior é que do crime e da pobreza vem a fome.E não estou a ver os portugueses suficientemente organizados e associados para poderem dizer que não gostam de politica, isso só vai acontecer quando se emanciparem em instrumentos, meios e acções para poderem dizer que são independentes.
Até lá, na sua vidinha, reclamarão por mais soberania.

GESTORES 2 - Os meus "amiguinhos"

Vários meses depois do despedimento a que fui sujeito numa empresa de formação resolvi contactar a mesma empresa para saber do andamento do processo. A resposta que obtive foi a de que pagariam, mas, cito, que não tinha necessidade e recorrer aos meus "amiguinhos de Lisboa". Eu bem procurei na minha mente quem seriam os meus amiguinhos de Lisboa e encontrei: o Dr. Jorge Sampaio a quem fiz uma comunicação escrita pelo sucedido e este se dignou a endereçar ás entidades competentes.
É que,espantem-se, os meus amiguinhos são o Presidente da Republica.
Se aqui na zona do Porto porque parece não haver quem trate desses assuntos, menores e mesquinhos, temos que recorrer aos "amiguinhos" (Dr. Jorge Sampaio), estimo que por este andar me veja a andar de mota com Aznar e Schroeder. Não Vejo o Dr. Pinto da Costa o homem mais poderoso do Norte, com qualquer intenção de resolver assuntos da sobrevivência diária dos cidadãos, por isso resolvi contactar os meus "amiguinhos" de Lisboa. São tantos.
Isto é o resultado da politica do queijo Limiano, quem não tem queijo tem amigos em Lisboa e parece que me incluem neste ultimo grupo.
P.S. - Ó Dr. Jorge Sampaio já tenho o "Soundtrack" dos New Order, quer que lhe grave? Envie-me uma cassete. Seu amiguinho, Augusto.
Isto é que é corrupção. Vou preso.

CRIMINOSOS.

Sem outro remédio, Portugal mostra ser campeão na taxa de ocupação de prisões no "espaço europeu". E pior, segudo especialistas "o problema parece não estar no crime nas na reincidência". Como me dizia um amigo falecido, toxicodependente,e com sérias dificuldades de sobrevivência para o pão diário, "drogado, já ninguém me tira". O fado venceu a condição, por baixo. Uma vez mal, mal para sempre, a culpa é individual. Uma vez bem, surge a dúvida, o bem é colectivo. Portugal deve ser o unico país do mundo em que prevaricar é um acto individual, mesmo com taxas de criminalidade de 25% e tudo, a criminalidade é, pasme-se, ainda uma acto individual. É mais fácil, e como já não há navegação não há também exportação de condenados para as colónias - que foi assim que se povoou o além-mar,Açores e Madeira.Não é nenhum problema de "alma portuguesa", é gente a mais para tão pouco. E tão pouco principalmente no cérebro daqueles que se prestam a serem eleitos. O resultado está á vista. Um politco safa-se mais rapidamente de uma alhada do que um qualquer outro cidadão, basta para isso, uma hora de telefonemas e o assunto fica resolvido. Mas isto não é crime. Ninguem vai preso por mover influências.
Como o crime, algo que é racional e muitas vezes demora tempo a ser preparado, não consta dos itens da economia da produtividade nem ingressa nas necessidades produtivas do país.
Mais uma vez, como a cortiça e o vinho do Porto, exportem-se os criminosos.
Eu ia.

DEUS & CÉSAR

Uma amiga minha em certo momento da vida resolveu dar um inesperado "salto". Isto é, converteu-se ao cristianismo através de uma associação religiosa para o efeito, curiosamente uma em que o Pastor (e empresário) foi noticiado como indiciado por tráfico de urânio. E que se chamava Igreja "Charisma" - lembremo-nos com Max Weber ou Vico, quem são as figuras carismáticas numa sociedade: um militar com dotes de herói, um personagem com dons inacessíveis (feiticeiros): Napoleão, Hitler,Raspuntin, Mussolini, Prof. Alexandrino, Zezé Camarinha.
Com ela, também lá fui visitar a Igreja "Charisma" e francamente bem quis envolver-me mas nunca consegui - não havia intimidade nenhuma. Parecia um daqueles grupos de marketing que angariam gente para jogos piramidais de dinheiro. Porque é que uma pessoa com uma formação urbana e cosmopolita se vê envolvida nestas aventuras. Só
encontro uma resposta: ressentimento e expectativa. Quando uma sociedade já não acolhe os mais esquecidos, estes voltam-se para o "vazio" onde a tirania teológica pode dominar. Aí encontram(julgo), os afectos que necessitam.
E que o mundo real não lhes fornece.Mas o que é que está mal?
Não possuo nada contra nenhuma das religiões (a não ser o facto de serem as únicas mentes que sabem perigosamente o significado de apocalipse, como vêem provando os fundamentalistas). Mas andar aos saltos e de braços elevados o alto, nunca me pareceu uma manifestação de amor divino, mas a da presumida vitória do algo recalcado.

Deus & César II

Na minha rural freguesia o mesmo se está a passar. Parece que o ritual da ortodoxia católica foi vencida por um padre brasileiro que não se cansa de berrar, cantar mal, dizer mal do casamento e pior que tudo impôr aos locais através de poderosos altifalantes a sua imaginativa noção de Deus. Dizem que na Turquia também é assim. Tenho que o aturar? Não. Já pensei formar uma banda de always-death-metal-hard-rock-piorio para lhe fazer o mesmo a ver se gostava. Mas não o farei, porque não consigo.
Espero que as autoridades publicas exerçam a sua sensata tarefa. Até lá, já vão alguns meses e nada.
Para o povo, parece que a politica a autoridade e o silêncio, não serve para nada. Os portugueses andam sempre á procura de alguma coisa, no momento. Os politicos andam atrás dos portugueses para lhes darem algo que lhes permita a manutenção eterna no poder - usando os sociólogos para fazerem perguntas ao que quer o povo.Assim sendo não me espanta que as religiões permaneçam a ganza do povo.
Fenómenos como este vivem-se em épocas simbólicamente fortes, como é a viragem do milénio. Em finais do Sec. XIX existiu o mesmo, perante uma elite burguesa babeliana, havia grupos religiosos para tudo - em que o mais generoso era um grupo de freiras com a "missão" de levar sexo aos hoje denominados, sem-abrigo. Nem tudo é assim tão mau.
Não sei o que foi feito dessa minha amiga, presumo que o tempo a tenha implicado como a cada um de nós, nas coisas diárias e terrenas, divinas.

"NÂO É DESGRAÇA SER POBRE"

Ao fim ao cabo há mais de 20% de Pobres em Portugal. A maior taxa de pobreza da Europa.E parece não haver remédio para tamanha indigência.
Porquê? Primeiro porque "os indices de riqueza não são objectivos", isto é, só servem um determinado modelo económico, que Portugal nunca descobriu e desportivamente (é o termo) ignorou.Segundo, por essa mesma razão, a da ignorãncia, Portugal não teve nas utimas duas décadas nenhuma estratégia na gestão de recursos - ele foi o Deus dará(neste caso a Europa).
Na minha vida profissional de inquéritos e entrevistas deparei-me com situações trágicas de pobreza, na altura uma pobreza concorrendo com o cavaquismo triunfante e artificial, mais tarde com a bonomia guterrista do "computador em cada casa" a pobreza parece nunca ter recuado.
De facto, com um Instituto Nacional de Estatística politizado que serve apenas o modelo politico conjuntural não parece haver maneira de recolher informação para que se efectue e se DECIDA uma verdadeira politica de redistribuição da riqueza. Apenas da pobreza.
Lembremo-nos que a politica não é um exercício de poder porque se pode mandar prender mas por exercer o poder da compaixão.
Mais uma vez, o poder está afastado deste país e a culpa é da falta de soberania.E da Europa já agora.
Alguns responsáveis dizem que não há ricos em Portugal, mas ilhas de riqueza , num mar de pobres acrescento. Mas mais grave, é que neste país não há uma classe média, constituída e influente como a se criou em Espanha nos ultimos 20 anos que poderia amparar estas clivagens.
Apesar de tudo, Portugal tem uma nova riqueza, os pobres, exporte-se pobreza, a revista Time ajuda.

O HOMEM DE NEANDERTHAL

Os portugueses ainda não aprenderam a controlar o fogo. A culpa é do tempo.

GESTORES

No ano passado trabalhei para uma empresa de formação profissional leccionando noções básicas de Cidadania em que os direitos humanos, para uma população de baixas qualificações eram considerados "uma seca". Daqui, o mal o menos. São essas populações que não vendo o exercício dos 29 artigos que mais pagam por essa ausência, com despedimentos arbitrários e direitos sociais considerados um luxo.
Os gestores da instituição, demagogicos, em jogos de futebol contra formandos, pic-nics e viagens pagos pelo erario, nunca se dignaram em põr os salários dos formadores em dia (6 meses sem receber é muito) havia casos mais trágicos que o meu.
Um dia fui à instituição que regulava a formação indagando o que é que poderia estar a correr mal.
A instituição avisou-me que tal não era nada normal e que (pasme-se) o máximo eram 2 meses de atraso - mais, esta instituição aconselhou-me anonimato nesse processo.
Conclusão: fui despedido. O sr. Gestor deve ter contactos próximos e soube que alguém colocou em causa a "instituição" (o termo dominante da demagogia actual). Nunca colocou em causa a sua evidente incompetência para o cargo, mas a um vulnerável formador que precisava de dinheiro para comer, deslocar-se e investir na sua profissão.
O Sr. gestor despediu-me, soberanamente, e não há ninguém que o despeça a ele.
Seis meses sem receber é muito. Mau.
O sr. Gestor bem como a instituição que regula a formação permanece no cargo, em soberania, e ninguem ousa colocar o cadeirão em causa.
Esta história prova uma já velha teoria social: a de que um pais depende da qualidade da sua classe dirigente.
E está á vista. Faça sentido quem possa.

SOBERANIA

Portugal continua a debater-se com a velha questão da soberania. O contrato que assinou com a Europa parece dia-a-dia tornanar-se-lhe desvavorável. Simplesmente, porque os países centrais tomaram, como é tradição, conta da representação da europa. E essa representação torna-se efectiva em termos de poder. Já toda a gente sabia isso, mas quando se fica contente com a ajuda financeira para calamidades naturais como os incêndios, os poderes publicos mostram não estar á altura de saberem o que querem da europa.
Primeiro foi dinheiro e agora soberania. A meu ver alguma perda de soberania será inevitável, a não ser que os representantes portugueses adquiram maior poder na comunidade. A isso chama-se politica e para isso há eleições.
Como o fazer num país governado por ideias velhas e num buraco sem fim? A soberania não é apenas um decreto num papel mas um exercício. E em Portugal não se vê nada. Não há uma politica de ambiente, não há uma industria vigorosa, não há gestão de recursos, não há qualificações. Nem as generosas ideias do presidente da Republica têm valor de imposição. Enfim, não há ninguém, não há poder, e se não há, não pode haver soberania.
Resta queixarmo-nos.

KAZAA SUCKS.

Tinha usado o WINMX para fazer downloads de mp3 e outros grups. E estava satisfeito. Mas aconselharam-me o Kazaa para o mesmo efeito. Na verdade, não estou nada contente, primeiro porque o Kazaa monopoliza a ligação e depois porque os downloads incompletos não podem ser reproduzidos, e mesmo quando são novamente ligados, alguns, partem do zero.
A minha primeira intenção foi desinstalar o desafortunado programa. Mas vou dar-lhe mais uma oportunidade, darei?

THE WAKE

Procuro contactos de melómanos com referências a esta banda da Factory.
Só para que se saiba.

O PAPA

O Papa adquriu para a esquerda intelectual o local de redenção favorito. Porquê?
Em essência, porque na esquerda, como numa banda rock, ninguém gosta de ninguém e quando se dão estes vazios de poder, as religiões e as teologias (mas nunca Deus) são as alternativas.
Um papa que pede desculpas pelo passado só pode gerar politicos que façam o mesmo.
Maus ventos para os laicos.

A DOENÇA DO HUMOR

Portugal sofre de humores, parece. Tirando o génio do Aldo Lima não consigo perceber o humor português. Se que os velórios são regeneradores, eu tenho o "Contra-Informação".
Se fosse produtor de video e quisesse fazer uma best of do "Levanta-te e ri" ia ver-me com dificuldade em fazer render o peixe.
Quanto ao Herman só parece só funcionar com uns copos.
O que é que se passa?
Deprimidos?

Sábado, Outubro 18, 2003

AFINAL HAVIA OUTRA

Afinal a indignação do estado português não estava na reportagem da Time, que denunciava o mercado sexual na europa e dirigido a um país sedento das actividades frenéticas do corpo, que mas da estratégia em que fora colocada a publicidade ao arruinante 2004, ao lado de putas e camionistas? Isso não.

BRAGANÇA TIME, TIME, TIME

A revista Time trouxe a lume a Babilónia portuguesa. A ideia que eu tenho de Bragança é a de arados, frio, e repasto. Talvez por isso, o frio, Bragança se tenha tornado numza zona quente. Casas de "colheita" como sa que a Time denuncia há em todo o país. Ao pé da minha casa, um falido empresário da hotelaria converteu o seu recanto numa dessas casas de prazer. Em pouco mais de 3 anos o que era um barraco converteu-se numa casa de luxo, cor-de-rosa-e-tudo sem parque de estacionamento mas com os melhores topo de gama do mercado automóvel, o meu Polo incluído.
O que é que mudou? Nada. Em essência nada. A população não está mais rica e a maior frequência de clientes era a classe operária local, empesários e funcionários publicos, parece continuar a viver na sua tradicional indigência.
O que é que mudou? Nada, a não ser a sorte do intrépido proprietário.
Bragança não é o bairro vermelho, esse com montras e ruelas sinistras com velhas, mas podia ser. Qual era o mal?

PRINCIPIO

Este blogue não procura mais do que constatar a minha vida no pais e no tempo em que escolhi nascer e viver.
Ao fim de alguns anos a respirar haverá alguma coisa para dizer. Talvez nem tudo se tenha perdido.